
“O conhecimento próprio leva-nos como que pela mão à humildade.” Josemaría Escrivá
“A unidade é alcançada quando membros individuais voluntariamente se submetem a ministrar ao lado de outros pelo propósito de cumprir os planos de Deus. Para se alcançar maiores resultados no ministério, membros individuais escolhem se unir para manter a visão geral da igreja ou equipe do qual fazem parte. Ao invés de serem divididos, eles oram enquanto atravessam dificuldades para que possam cumprir um mandato maior […] a unidade coletiva pode ser alcançada quando a visão é compartilhada e abraçada por todos os membros.”. Reneé M. Handtke – Adorando ao Senhor na Dança
Hoje o número de equipes de danças nas nossas igrejas cresce assustadoramente, quer seja com o objetivo de praticar coreografia, gestos, festival, obras sociais, dança profética ou espontânea, etc. Entretanto, vemos com muita freqüência a falta de entendimento e sincronismo entre os membros da equipe. O artista adorador excelente é aquele que sabe acoplar sua técnica a junção harmoniosa da equipe oficiando ao Senhor em qualquer estilo.
Não há estilo de dança melhor que outro ou mais santo, é a atitude do nosso coração e nossas motivações que agradarão ao Senhor (Sl 51.17). Entretanto, em tudo o que fazemos precisamos nos mover como filhos de Deus, conscientes, preparados e entendidos e não como marionetes na mão de um sistema cristão humano (At 17.28).
Oficiar no dicionário significa celebrar um ofício divino, ou seja, executar qualquer atividade especializada, um meio de vida tipicamente cristão. Como nos admoesta o apóstolo Paulo em Colossenses 3.23 diz que em tudo o que se fizer, seja feito de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens. Portanto, tudo o que produzimos (e.g. nossa arte, profissão, etc.) e quem somos (e.g. em casa, no secreto, nas motivações e pensamentos, etc.) deve glorificar ao nome Dele (Cl 3.17), trazendo graças e louvores ao nome do nosso altíssimo Deus.
Penso ser extremamente improdutivo dispensar tempo quanto ao debate sobre técnica e unção, pois um grupo que serve com excelência concilia ambos em plena harmonia colocando Cristo no centro e ampliando novos horizontes para que sua ministração leve uma mensagem.
Ouvi uma pregação do Pr. Ricardo Robortela na qual ele disse muitas pessoas têm palavras ou canções, mas pouquíssimas tem uma mensagem, fazendo com que Deus esteja fora das nossas estruturas. Precisamos de mais que uma coreografia ou talento para chamar atenção do Senhor.
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Jaqueline é uma pessoa ligada sempre nos 220, não há nada que ela não consiga fazer sem um pouco de esforço. Qualquer problema pode chamar a Jackie. O Pr. Epimênides sempre diz: como queria ter mais membros com tal pro atividade e alegria. Jaqueline é bastante sincera diante do Senhor e ama o que faz, tenta sempre ver o lado positivo das coisas. Entretanto, ultimamente ela luta contra sentimentos ruins dentro do seu coração, percebe-se mais irritadiça e sempre tem um comentário crítico a fazer sobre tudo que a cerca. Semana passada Jackie foi repreendida pelo pastor por não ter correspondido às suas expectativas quanto à unção.
─ Os céus definitivamente não se abriram essa noite enquanto você estava dançando Jaqueline. O que houve? Disse o pastor.
Jackie que normalmente responderia aquele comentário com um pedido de desculpas prontamente se armou; alguma coisa acontecera no seu coração, era como se a palavra do pastor fosse uma flecha no coração dela. Sentira-se injustiçada, afinal ela faz tudo o que pode para ajudar, não reclama de investir todo seu fim de semana, bem como seus feriados na igreja.
─ Quem ele pensa que é para falar desse jeito comigo? Se me recusasse a fazer o que faço, quem assumiria meu lugar? Quero ver onde ele vai achar alguém que faça metade do que faço? Pensou Jaqueline. Mas a resposta final ao pastor foi: Ok pastor, não sei o que houve, mas vou melhorar.
Enquanto ponderava essas coisas no seu coração, Diana sua amiga de longa data aproximou-se, como se conheciam a um bom tempo Diana logo percebeu que a amiga não estava bem e perguntou:
─ O que houve com você?
─ Nada de mais, você que me conhece a bastante tempo Di, o meu trabalho aqui na igreja tem contribuído para que haja uma expansão?
─ Sim minha amiga com certeza e digo mais não sei como você agüenta, quando na verdade sempre são os outros que tem valor. Eu já chutei o pau da barraca há muito tempo, valorizo quem me valoriza, quando fazia algo na igreja, nada está bom o suficiente para o Pr. Epimênides. Vejo você sempre se matando, correndo atrás de tudo, o mínimo que esse pastor pode fazer por você é te valorizar muito.
Discussão em Grupo
1. Você alguma vez já se sentiu como a Jackie?
2. Por que razão você acha que a Jackie se sentiu frustrada? A maneira como ela agiu foi a mais apropriada? Por quê?
3. O que você acha da Diana? A posição dela foi correta? De que outra maneira Diana poderia ter ajudado Jackie?
4. E quanto à posição do Pr. Epimênides, você acha que ele errou? Por quê?
5. Como Jackie deveria proceder?
6. Quais conseqüências essa frustração gerará no coração dela?
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Privilégio em Servir
Conheço muitas pessoas talentosas, ouso até dizer que todos em uma área ou outra tem talentos, o que nos diferencia é o quanto das nossas habilidades é usada em benefício alheio e o quanto agradamos a Deus com nossa motivação.
Pessoas criativas de modo geral têm a tendência a pensar de maneira mais rápida, fazendo assim com que o grau de intolerância aumente significativamente quando há necessidade de lidar com um grupo, visto que logo quererá expor suas ideias e colocar tudo em prática.
Existe uma linha muito fina, entretanto, entre um espírito criativo e um espírito crítico, pois muitas vezes ao executarmos uma tarefa melhor que a grande maioria e vermos que no nosso meio não há pessoas tão habilidosas temos a tendência de nos garantir, fazendo assim com que fiquemos estagnados na nossa própria zona de conforto (Rm 12.3).
Uma vez ouvi uma citação de Flávio Augusto, diretor executivo da Ometz, na qual ele dizia que não há estabilidade, precisamos nos desenvolver constantemente, sempre considerando os outros superiores a nós mesmos (Fl 2.3).
A partir do momento em que entendemos conscientemente que oficiar diante do Senhor é um privilégio e uma honra, nossos objetivos e motivações são transformados a luz de sua palavra, fazendo que queiramos ser melhores, respondendo prontamente as expectativas do coração do nosso mestre.
É engraçado o quanto lutamos e sonhamos em fazermos algo para o Senhor, fazemos de tudo para ter a oportunidade de cooperar com o que for necessário para nos sentirmos uteis, nosso coração queima de paixão, nos tornamos mais prestativos. Entretanto, quando recebemos o que pedimos nos esquecemos, com o passar dos meses, de todo esforço e empenho que nos foram computados em prol de tal oficio, nos tornamos displicentes, murmuradores, literalmente negligentes, horários não são mais importantes, pessoas tornam-se nossas concorrentes, cansaço e tristeza acompanham nosso semblante – parecemos sempre ocupados demais, estressados, como se fizéssemos mais que todos, nos esquecemos do que outrora nos motivou, tornando o santo em profano.
“Nadabe e Abiú, filhos de Arão, pegaram cada um o seu incensário, nos quais acenderam fogo, acrescentaram incenso, e trouxeram fogo profano perante o Senhor, sem que tivessem sido autorizados. Então saiu fogo da presença do Senhor e os consumiu. Morreram perante o Senhor.” (Lv 10:1-2)
Nossa única garantia é o Senhor e não nossos dons, talentos e habilidades. Nadabe e Abiú já sofriam do que hoje chamamos de síndrome do piloto automático, por estarem habituados a oficiarem diante do Senhor eles acharam que não teria problema algum tomar a frente. Quantas vezes não agimos como eles? Nossas ideias sempre são melhores, mais completas… Se seguissem nosso conselho as pessoas se dariam bem na vida.
Instruo minha equipe sempre a desenvolver um questionamento saudável e investigativo sobre tudo o que nos cerca, baseando nossas perspectivas e vida na palavra de Deus, entretanto, sempre desafio eles dizendo para nunca trazerem uma consideração negativa sem ter na manga uma possível solução, parece duro, mas desperta neles senso de gratidão e misericórdia, pois ao tentar achar uma solução você sente-se desconfortável na posição do outro, passa a ver aspectos que não eram atentados antes, e principalmente criatividade e pró ativismo, pois, como líder, não construo um ministério baseado na servidão mono centrista robótica, pelo contrário cada um tem sua função, capacidade e expressão, por isso são expostos as situações para produzirem.
Não é Nada Pessoal
Durante minhas mais de duas décadas de cristianismo tenho observado que no corpo de Cristo há uma carência exacerbada por maturidade e objetividade. Devido a esse pequeno tempo de ativismo cristão, pude desenvolver projetos em todas as áreas possíveis e imagináveis, desde limpeza, secretaria, portaria, louvor, dança, departamento infantil, assistência social, mídia, aconselhamento, pregação e muito mais.
Participei de vários ensaios e ajuntamentos na qual se via claramente que a pessoa não correspondia ás expectativas propostas a ela, entretanto, nunca ouvi ou vi alguém dar um feedback verdadeiro e conciso, é como se todos estivessem com medo de ultrapassar a linha servo-irmão.
A linha servo-irmão, como gosto de chamar, é muitíssimo fina e é o que muitas vezes nos constrange, pelo grau de amizade, a falta de autoridade e firmeza e excelência. Temos a tendência de confundir as obrigações com afeições. Não é porque tenho um relacionamento afetivo com alguém que não vou me posicionar, de maneira compassiva e objetiva, em relação às melhoras que podem ser feitas em sua arte. Obviamente, sondando sempre meu coração para que não seja achada em mim uma motivação parcial.
Se desde o inicio formos claros quanto ao que queremos e jogarmos abertamente com a pessoa, visando sempre seu crescimento em amor, teremos relacionamentos mais saudáveis e produtivos. Como falo com meus colaboradores, não é nada pessoal, é extremamente oficial. Até o Senhor corrige ao filho que ama (Hb 12.6) e ele não o faz para subjugar ou humilhar, mas para que possa haver um crescimento em maturidade e excelência para que possamos realizar tudo nele como dia a canção É Nele do Stênio Március.
É nEle que nos movemos
Vivemos e existimos
É nEle, é nEle
Se amo, falo, choro ou canto
É nEle que tudo acontece
É nEle, é nEle
Batidas do meu coração
Dependem desse Maestro
E até o ar que eu respiro
É Ele mesmo quem me dá
Em volta da mesa com os meus
Celebro com vinho a vida
É Ele quem dá gosto a tudo
Com Ele a alegria sempre está